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O trabalho de um
grande pesquisador
GABRIELE D. BARALDI
Por
J.A. FONSECA*

Um
detalhe da
Pedra do Ingá, na Paraíba.
Tomei conhecimento
das pesquisas deste notável desbravador de mistérios, primeiramente,
numa publicação da revista Planeta em maio/1988, sobre a descoberta de
uma cidade perdida na Bahia. Posteriormente, através do jornal
eletrônico Via Fanzine, li uma entrevista sua que me impressionou
muitíssimo, pois se tratava de conclusões sobre a decifração da Pedra do
Ingá. Em seguida, fui aquinhoado com o memorável contato com a Sra. Anna
Baraldi, irmã deste insigne buscador da verdade e derradeiro atlantólogo,
que me presenteou com duas “jóias” do mesmo, os livros “Os Hititas
Americanos” e “A Descoberta Documento 512”.
Desnecessário
dizer que se tratam de duas obras raras e essencialmente acadêmicas
sobre a história antiga do Brasil, ousando o autor afirmar que os povos
hititas estiveram presentes aqui em nossa terra em passado remoto. Mais
ainda, que as inscrições lapidares da Pedra do Ingá se tratam de
escritas de origem hitita e que após estudá-las a fundo traduziu-as,
literalmente, junto com outros achados e documentos ainda não decifrados
até então pelos estudiosos do assunto. Baraldi afirma que suas
conclusões são definitivas, apesar de muitos arqueólogos não as
aceitarem como tal, preferindo atribuí-las a outros povos que viveram
naquela região.
Com grande
interesse tenho lido seus livros e procurado compreender a complexidade
de seu raciocínio diante deste misterioso monumento arqueológico
brasileiro, a Pedra do Ingá, que tem obrigado a muitos arqueólogos a se
curvarem diante de seus mistérios, por incapacidade de explicá-los a
contento e oferecer conclusões que possam contribuir para a compreensão
do cerne de tão intricado problema.
Porém, como
pesquisador dos mistérios milenares do Brasil, sei que esta não é uma
tarefa fácil e é preciso estar imbuído de elevado grau de ousadia,
coragem e perspicácia para elucidar, como e por quê, foram feitos estes
registros (para não falar de muitos outros no interior de nosso país e
em muitas outras regiões na Terra), em meio a uma diversidade de signos
menos sofisticados, além de outros ainda que se acham relacionados a
povos primitivos que aqui viveram há milênios.
Para o pesquisador
Baraldi, entretanto, não havia barreiras que não pudessem ser vencidas.
Com argúcia, ousou romper com as limitações impostas pelo próprio meio e
declara a existência de uma escrita hieroglífica que chamou de
protohitita, declarando ser esta nenhuma outra senão a própria língua
tupi-guarani, falada pela maioria dos indígenas brasileiros. Tal
hipótese foi concluída através de comparações feitas de vocábulos tupis
com a escrita dos hititas, estabelecendo o autor relações entre estas e
os signos das tábuas hititas elaboradas por Laroche, Meriggi e Guterbock.
Afirmou Baraldi
que o antigo tupi-guarani tem relações diretas com a língua primeva,
original, pois, descobriu que através dele poderia traduzir as escritas
desconhecidas dos povos do passado. Para ele o protohitita ou tupi era a
língua que se falava na desaparecida Atlântida há cerca de 50.000 anos.
De posse desta
chave simbólica pôde decifrar os signos do monólito do Ingá, que eram,
segundo ele, semelhantes aos que foram encontrado na Turquia, antiga
Anatólia, terra dos hititas. Quanto à forma em que foram gravados os
símbolos do Ingá o autor afirma que os protohititas controlavam a
energia geotérmica e produziram os hieróglifos mediante moldes,
aplicando sobre a rocha alta pressão mecânica e térmica a partir de lava
de um vulcão extinto. Neste sentido penso de forma semelhante ao
digníssimo pesquisador. Após minha visita àquele monumento excepcional e
examiná-lo, passei a alimentar a idéia de que os signos ali insculpidos
possam ter sido produzidos por intermédio de uma técnica específica que
consistia no preparo e amolecimento da rocha, utilizando-se de uma
fórmula desconhecida. Desta forma, os caracteres seriam então gravados
facilmente, permitindo um acabamento excepcional. Segundo alguns
pesquisadores, os povos incas conheciam uma fórmula “mágica” que
amolecia a rocha e metais como o ouro, por exemplo, para que assim
pudessem manipulá-los à vontade. Pode ser que esses povos do Ingá também
tivessem conhecimento dessa fórmula secreta.
No caso específico
deste monumento paraibano podemos observar um acabamento primoroso, sem
arestas ou quebras em suas bordas, conduzindo-nos a pensar seriamente
nesta possibilidade, ou seja, de que tenham sido produzidos por meio de
moldes, como o podemos fazer, imprimindo um objeto qualquer sobre um
pedaço de argila úmida.
Diante da
complexidade destes signos e de outros traduzidos pelo iminente
pesquisador G. Baraldi, não me permitiria ainda emitir um pensamento
conclusivo sobre seus estudos e sua inigualável proposta. Em minhas
pesquisas tenho procurado encontrar evidências de uma língua primitiva
no Brasil remoto e o insigne pesquisador, para minha surpresa, afirmou
que a linguagem protohitita faz parte de uma língua primitiva e
universal que não é outra senão a tupi-guarani. Consideramos que este
ponto é um dos aspectos mais importantes desta pesquisa e Baraldi parece
ter encontrado esta chave. Se ele estiver com a razão e, quero
imensamente que sua tese seja comprovada, teremos dado um largo passo na
decifração de outros signos arqueológicos no Brasil, pois vamos
encontrar caracteres semelhantes aos da Pedra do Ingá em muitas outras
regiões, misturados aos registros primevos dos povos mais antigos que
por aqui passaram.
De forma
definitiva considero que o magnífico trabalho de Gabriele Baraldi abriu
uma porta iluminada diante do corredor sombrio do academismo
arqueológico nacional e internacional, permitindo que novos estudos
possam ser feitos a partir dele e desvelar novas facetas de um passado
silencioso que, decididamente, se ressente dos impulsos da lucidez e da
coerência, diante dos muitos mistérios que surgem a cada momento,
desafiando a argúcia dos homens de ciência.
Não é novidade
para os perspicazes buscadores da verdade que suas descobertas são
sempre incompreendidas e rechaçadas no seu tempo. Este comportamento
ritmado parece ser uma espécie de anátema que os mistérios que encobrem
a evolução das raças fazem descer sobre a ousadia destes raros
desbravadores, raros náufragos navegando em mar revolto, conforme dito
de JHS, pois que pretendem esmiuçar em sua plenitude o auge e a
decadência desse passado, oculto em sua linguagem velada e simbólica. De
nossa parte louvamos o espírito de luta deste grande desbravador que
ousou desafiar e vencer este mal que se arvora contra o conhecimento
humano e romper com a barreira do dogma acadêmico. Só nos resta unir
forças para ousar e vencer este anátema que atravessa os milênios, e que
esta resistência não possa jamais ser obnubilada pelo conservadorismo
dos historiadores que se negam em voltar seus olhares para os albores
dos novos tempos que se destacam com força no horizonte.
Só assim poderemos
perceber os novos lampejos que surgem iluminando indelevelmente a
verdadeira história dos homens, coroando com os louros da vitória a
fronte dos intrépidos desbravadores do desconhecido, à maneira deste
ilustre atlantólogo, desacismado e estudioso arguto, que não se permitiu
recuar diante dos enigmas propostos pelo nosso passado.
*
J.A. Fonseca é
natural de Itaúna-MG, economista, autor, pesquisador em Arqueologia e
reside em Barra do Garças/MT. Sua página na internet é
www.viafanzine.jor.br/fonseca.htm.
Desvendado o mistério da Pedra do Ingá*
Pesquisador Gabriele Baraldi garante que a Pedra de Ingá confirma a
presença hitita no Brasil e vê relato de guerra nas inscrições rupestres.
Da
revista A Carta
São
Paulo-SP

Professor Baraldi e a Pedra do Ingá, Paraíba.
Pronto,
o pesquisador Gabriele D´Annunzio Baraldi um italiano de 52 anos de
idade de 25 de Brasil, garante que isso foi suficiente para traduzir a
Pedra de Ingá, com seus 497 sinais esculpidos ao longo de um paredão
com 24 metros de comprimento, três de altura e mais três de largura.
Conhecida em meio mundo pela forma singular, a beleza e os mistérios de
suas inscrições, a Pedra de Ingá recebeu a primeira visita de Baraldi em
1988. O que ele anunciou, na ocasião (Nº 111, de A Carta), foi
algo, sem dúvida, surpreendente: o bloco inteiro, conforme entendia
havia rolado, em algum tempo de um passado distante, deixando os sinais
de cabeça para baixo e dificultando, em função disso, a decodificação.
Á Pedra
de Ingá é uma evidência irrefutável de que os hititas, ou proto-hititas
americanos, viveram neste Continente - assegura Baraldi, para quem não é
improvável a hipótese de o chamado Novo Mundo vir a ser mais antigo do
que o Velho.
O que
teria virado a Pedra? Uma forte enxurrada, admite ele. Mas as surpresas
não acabam aí. O pesquisador Italiano, naturalizado Brasileiro, se diz
certo de que o bloco rochoso já foi duas vezes maior na época em que
servia como fachada de um monumento colossal: "Uma figura humana de
monarca, com chapéu, sentado ao trono, tendo dois leões (ou onças) aos
pés ".
As
inscrições vistas atualmente, afirma Baraldi, são mais recentes e datam
provavelmente, de 1374 e 1322, antes de Cristo. Os hititas, tal como são
conhecidos, floresceram na Anatólia (hoje Turquia) por volta de 2500
a.C. e alcançaram progressos como a fundição do ferro, encerrando a
Idade de Bronze (proeza que tem contestação no campo da Arqueologia).
Baraldi
sustenta que a Pedra de Ingá pode explicar a ainda misteriosa origem
dessa civilização que, no caso, teria procedido da América, numa
corrente inversa ao fluxo de ocupação do continente historicamente
admitido.

Baraldi: "O Tupi nasceu
da língua hitita".
Referência
Para estimar a data das inscrições da Pedra de Ingá (1374/1332
a.C.) ele toma como referência "dados biográficos segundo os
quais Mursilis II, numa guerra de seis anos destruiu o poderio da
Terra de Arzawa", termo por ele também entendido como "Araxá-uá"
e traduzido como "Trono do Planalto".
Baraldi revela-se convicto de que pesquisas mais aprofundadas podem
levar á localização desse trono nos arredores de Ingá, "pois,
este é o único lugar do mundo a possuir o maior documento hitita
gravado em pedra", afirmou.
Na
Mesopotâmia, explica, só foram encontrados, com tal base lingüística,
carimbos e selos. Para ele, a forma correta de leitura das inscrições da
Pedra de Ingá é da direita para a esquerda e de cima para baixo - com o
bloco "desvirado".
Uma
linha vertical, que atravessa metade das inscrições e na qual, em 1977,
o professor egípcio Fathi Seha (especialista em Ergonomia da
Universidade de Quebec, Canadá) viu semelhança com um mapa do Rio Nilo,
e, segundo Baraldi "uma lança simbólica de sacrifício de animais".
Esta lança atravessa o dorso de um bezerro, um boi e um cavalo, com
silhuetas ainda perfeitamente visíveis, bem como o perfil de um
sacerdote, ou pajé, barbudo, com cabeça e chapéu - sustenta.
Baraldi ainda afirma que tal figura "termina num desenho de
cabeça de felino, encimado, por sua vez, pelo perfil de cabeça de
cavalo, coincidindo a parte traseira dos animais com o arco e a
dimensão da cabeça e chapéu do sacerdote”.
Tradução
O
dicionário Tupi/Português, de que se utilizou para interpretar e dar
fonemas ás inscrições da Pedra do Ingá, foi o do sertanista Luiz
Caldas Tibiriçá. Também fez uso de uma tábua de correspondência
contendo inscrições hititas e seus significados, conforme
catalogações do francês Emannuel Laroche e dos hititólogos italiano
Meriggi e o alemão Guterbock. Nessa tábua, cada símbolo hitita é
identificado por um número.
Baraldi diz que seguiu o método de tradução aconselhado por Laroche,
cujo trabalho, ao lado da ação de outros cientistas "resultou
numa obra prima de indiscutível valor cultural, com o alcance de 95%
sobre valores fonéticos de uma língua, até então, totalmente
desconhecida".
Para a
identificação dos símbolos hititas, Laroche havia percorrido o caminho
mais difícil entre as duas opções de que dispunha: 1) poderia recorrer a
uma escrita bilíngüe (peças arqueológicas cuneiformes, ou egípcias,
escritas em duas línguas); 2) poderia postular que uma das línguas é
conhecida, transformando um problema duplo em um simples.
Este
segundo método havia permitido a diversos pesquisadores a tradução do
grego de Chipre (por G. Smith), do turco de Orkon (Thomsen), fenício de
Byblosveja so (Dhorme), e semítico de Ugarit (por Bauer, Dhorme e Virollaud).
"Se o postulado é justo, a decifração revela-se rapidamente, mas
sendo falso, tudo pára, a exemplo do que ocorreu com Jensen que
procurava o armênio atrás dos hieróglifos hititas e viu todos os seus
anos de esforços perdidos", conforme lembra Baraldi.
E,
citando Laroche, ele resume: “Cinqüenta anos de tentativas e
conjecturas conduzem à evidência de que os hieróglifos hititas são uma
criação hitita e qualquer esforço que permita induzir as homofonias a
seleção dos valores fonéticos é bem-vinda". Em seguida, Baraldi
conclui que "o apelo do Dr. Laroche foi ouvido no Brasil, em
fevereiro de 1989, com afinação Tupi".
Agora
ele está convencido de que há, em Ingá, símbolos como o 163, da tábua
hitita de Laroche, que tem a pronúncia tupi de Mu-Já e o
significado, em Português, de “parentes”, “raça e nação”. Da mesma
forma, o símbolo 199 é Jassy em Tupi e “mês” ou “lua”, em Português.
Juntando todos os símbolos de Ingá e o que tem como seus significados,
Baraldi, que bacharelou-se na Argentina em Letras e Filosofia, mas não
possui formação acadêmica em Arqueologia ou Antropologia, assegura que a
pedra paraibana tem mensagens soltas com a seguinte decodificação: "Existe
uma briga de fronteira, que é o rio piscoso. A briga é entre reinos
parentes próximos. O rei invasor pede aos guerreiros que façam um
círculo ao redor dele, portanto decidido a tudo. O outro rei procura a
negociação, lembrando o parentesco e as tradições da (pátria) mãe de
origem".
Em
outro ponto, a tradução, ainda segundo Baraldi, é a seguinte "Ao
raiar do Sol, na primeira claridade, o guia toca a trombeta de
guerra entre parentes próximos. Seja o que for, não há mais remédio,
por isso o escriba levanta uma prece a Tupã, que levará consigo os
mortos de costume, aqui e agora".

Detalhe da
instigante Pedra do Ingá.
Mitos
Baraldi afirma não ter dúvidas de que o Tupi "é uma língua hitita".
Garante, além disso, que a Pedra do Ingá derruba outro mito dos
hititólogos da Mesopotâmia. Estes últimos sempre acreditaram que
todos os registros em hieróglifos hititas diziam respeito
unicamente a assuntos sagrados.
E ele
cita mais três narrativas que, na Pedra, contrariariam tal hipótese. Eis
a primeira: "O Senhor foi pescar no rio, havia muitas rãs, mas
estava acontecendo alguma coisa estranha que lhe causou a atenção. Foi
tranqüilizado por parentes que ostentavam símbolos nobres. Enquanto lhes
dirigia a palavra uma nuvem branca descia pelo rio, O Senhor perguntou
ao pajé (ou sacerdote) o que era essa estranha nuvem branca. Também
intrigado, o pajé foi investigar e, finalmente, estava abraçado aos
ramos de um igarapé em estado de composição".
Segunda narrativa, "No interior da propriedade do Senhor, sob sua
supervisão, enquanto o resto da população estava cuidando dos seus
afazeres, um incidente de grandes proporções com fogo na usina de
fazer bebida queimou tudo, casas vila, templo, com a rapidez de uma
flecha, numa fogueira de enorme claridade".
Terceira narrativa, "A população trabalhou muito para o pajé, para
festejar o Senhor do Amuleto. Toda a bebida foi transformada em
licor e colocada sobre um estrado, junto com a comida, destacando-se
o peixe-coelho".
Contestações
A
tradução de Gabriel D'Annunzio Baraldi vem tendo contestações
imediatas. A arqueóloga carioca Maria Beltrão disse ao jornal,
Estado de São Paulo, que é muito pouco provável que os
hieróglifos de Ingá sejam de outra civilização. Ela atribui as
gravações da pedra, onde já fez estudos, a povos primitivos locais.
O antropólogo da Universidade de São Paulo, Antonio Porro,
especialista em pré-história indígena, concorda com a arqueóloga.
Em
João Pessoa, a teoria de que a Pedra de Ingá foi virada de
ponta-cabeça por uma enxurrada surpreendeu o professor Jacques
Ramondot, ex-diretor da Aliança Francesa e um pesquisador do
assunto "Seria preciso algo mais forte do que um terremoto para
virar a Pedra", ironizou.
Menos à vontade para falar do tema, outro pesquisador, Balduíno
Lélis amigo pessoal de Baraldi, não aceita, sequer, a presença dos
hititas no Continente, povo que não tinha tradição naval e nem,
portanto, meios para grandes travessias.
De
resto, a teoria de que a Pedra do Ingá esteja de cabeça para baixo
inverte símbolos já identificados como figuras humanas, pássaros,
répteis e plantas, todos em posições corretas.
Mas
Baraldi não desanima. Ele próprio defende a necessidade "de um
trabalho mais profissional e de maior envergadura, a cargo de
estudiosos e eruditos na matéria". Em busca de tais
pesquisadores, ele já bateu, até aqui sem resposta, à porta da
Embaixada da Turquia, país que, ao seu ver, "dispõe dos melhores hititólogos do mundo".
*
Texto extraído da revista A
Carta,
datada de 03 a 10 de Fev-1990 - Ano IV nº 170.
-
Fotos: Arquivo Anna Holst / Via Fanzine.
Pesquisador diz que pedra,
na Paraíba, tem inscrição
Hitita*
Para eliminar controvérsias, que vem desde o século passado,
Gabriele Baraldi sugere que um especialista em hititologia
dê parecer sobre inscrições contidas na Pedra do Ingá.
Por
Ulisses Capozoli*
Para o
Jornal de São Paulo

Pedra do Ingá (Paraíba),
petróglifos com tecnologia desconhecida.
Ao
final de seis anos de trabalho o pesquisador independente de origem
italiana Gabriele Baraldi garante ter decifrado e interpretado os 497
símbolos inscritos na PEDRA DO INGÁ, situada á 88 quilômetros de João
Pessoa, na Paraíba, Brasil. Há quatro anos Baraldi sustentava que as
inscrições são hieróglifos escritos pelos Hititas, povo que viveu na
Mesopotâmia e alcançou seu apogeu em 2500 a.C. Agora com o trabalho de
interpretação concluído, ele acrescenta que os sinais narram cenas como
a erupção de um vulcão e a reação de uma população portuária , próxima
ao fenômeno .
A
PEDRA DO INGÁ é um bloco rochoso de 24 metros de comprimento, com 3,8
metros na parte mais alta e outros três metros de espessura e vem sendo
estudada desde o século passado. Baraldi fez suas investigações
utilizando o dicionário do francês Emmanuel Laroche, que fornece os
possíveis sons de cada sinal e os vários significados de cada um, alem
do dicionário Tupi-guarani do sertanista brasileiro Luiz Caldas Tibiriçã.
Com
base em suas investigações, Baraldi propõe que a PEDRA DO INGÁ seja "a
prova cabal de que eles (os hititas) estiveram anteriormente no
continente americano, há pelo menos 5 mil anos e foram parentes diretos
dos índios americanos ".
A
PEDRA DO INGÁ, segundo Baraldi, seria parte de uma peça maior que se
rompeu e mudou de posição em função de fortes chuvas. O pesquisador que
tem formação em letras e filosofia, propõe que o bloco original, a que
pertence a PEDRA DO INGÁ, teria originalmente o dobro do tamanho e
formaria a fachada de um monumento com uma figura humana de um monarca
com chapéu, sentado ao trono e tendo dois leões ou onças a seus pés.
Entre outras cenas, Baraldi traduziu narrativas como, "É Ano Novo. A
branca mãe Lua surge iluminando a baía e a popa do grande navio do
império da constelação, da Cruz Guia (Cruzeiro do Sul), não pode sair do
local, pois o fogo que está em toda parte pela baía já chegou á proa da
embarcação".

Pedra do Ingá,
detalhe.
Outros pesquisadores como a arqueóloga carioca Maria Beltrão e o
antropólogo da USP Antonio Porro, já discordaram de Baraldi na primeira
fase de seu trabalho. Geólogos também sustentaram que as áreas de
vulcanismo mais recentes no Brasil recuaram há milhões de anos.
Num
artigo escrito em 1975, para a Revista de História da USP, a
pesquisadora Gabriela Martin também refuta a interpretação defendida por
Baraldi. Para a pesquisadora "não é preciso ser propriamente um
especialista em línguas mortas e estar familiarizado superficialmente
com os alfabetos antigos para que se perceba que os petróglifos de INGÁ
não são uma escritura e que os sinais, caprichosamente, não seguem
nenhuma ordem, simétrica ou relação de tamanho entre si, uma vez que são
poucos repetidos".
Baraldi, no entanto, está seguro de que decifrou as inscrições que,
segundo ele, devem ser lidas da direita para a esquerda e de cima para
baixo "com a pedra desvirada". O sítio arqueológico de INGÁ também tem
outra PEDRA ARZAWA, onde, na face exposta podem ser vistas "piramidinhas",
que, segundo Baraldi, seriam um documento em cuneiforme Hitita.
O
pesquisador sugere que o governo brasileiro convide um especialista
internacional em Hititologia para se obter um laudo científico das
inscrições na PEDRA DO INGÁ. No Brasil, justifica ele, não existem
especialistas nessa área. Esta providência, segundo ele, seria uma forma
de ser por fim aos debates e determinar a natureza das inscrições de
forma definitiva.
A
inscrição da PEDRA DO INGÁ segundo Baraldi, não foi feita de maneira
convencional, mas com um recurso de "estampo na lava quente canalizada
do vulcão.
- Reportagem extraída do
Jornal de São Paulo,
de 20 de fevereiro de 1994.
*
Ulisses Capozoli é jornalista.
-
Fotos: Arquivo Anna B. Holst.
+
referências ao trabalho de Gabriele D.
Baraldi (em inglês):
http://www.geocities.com/Athens/Rhodes/8473/hierogly.htm
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