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IMEGA-EDICON, São Paulo, 1997.

Livro, 110 págs.

Gabriele D. Baraldi

História

 

IMEGA-EDICON, São Paulo, 1997.

Livro, 464 págs.

Gabriele D. Baraldi

Dicionário Hitita

 

 

INDEPENDENTE, São Paulo, 1997.

DVD - palestra.

Gabriele D. Baraldi

Arqueologia

 

Informações para aquisição:

annaholst9@yahoo.com.br

 

        

      

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O trabalho de um grande pesquisador

GABRIELE D. BARALDI

 

Por J.A. FONSECA*

 

Um  detalhe da Pedra do Ingá, na Paraíba.

 

Tomei conhecimento das pesquisas deste notável desbravador de mistérios, primeiramente, numa publicação da revista Planeta em maio/1988, sobre a descoberta de uma cidade perdida na Bahia. Posteriormente, através do jornal eletrônico Via Fanzine, li uma entrevista sua que me impressionou muitíssimo, pois se tratava de conclusões sobre a decifração da Pedra do Ingá. Em seguida, fui aquinhoado com o memorável contato com a Sra. Anna Baraldi, irmã deste insigne buscador da verdade e derradeiro atlantólogo, que me presenteou com duas “jóias” do mesmo, os livros “Os Hititas Americanos” e “A Descoberta Documento 512”.

 

Desnecessário dizer que se tratam de duas obras raras e essencialmente acadêmicas sobre a história antiga do Brasil, ousando o autor afirmar que os povos hititas estiveram presentes aqui em nossa terra em passado remoto. Mais ainda, que as inscrições lapidares da Pedra do Ingá se tratam de escritas de origem hitita e que após estudá-las a fundo traduziu-as, literalmente, junto com outros achados e documentos ainda não decifrados até então pelos estudiosos do assunto. Baraldi afirma que suas conclusões são definitivas, apesar de muitos arqueólogos não as aceitarem como tal, preferindo atribuí-las a outros povos que viveram naquela região.

 

Com grande interesse tenho lido seus livros e procurado compreender a complexidade de seu raciocínio diante deste misterioso monumento arqueológico brasileiro, a Pedra do Ingá, que tem obrigado a muitos arqueólogos a se curvarem diante de seus mistérios, por incapacidade de explicá-los a contento e oferecer conclusões que possam contribuir para a compreensão do cerne de tão intricado problema.

 

Porém, como pesquisador dos mistérios milenares do Brasil, sei que esta não é uma tarefa fácil e é preciso estar imbuído de elevado grau de ousadia, coragem e perspicácia para elucidar, como e por quê, foram feitos estes registros (para não falar de muitos outros no interior de nosso país e em muitas outras regiões na Terra), em meio a uma diversidade de signos menos sofisticados, além de outros ainda que se acham relacionados a povos primitivos que aqui viveram há milênios.

 

Para o pesquisador Baraldi, entretanto, não havia barreiras que não pudessem ser vencidas. Com argúcia, ousou romper com as limitações impostas pelo próprio meio e declara a existência de uma escrita hieroglífica que chamou de protohitita, declarando ser esta nenhuma outra senão a própria língua tupi-guarani, falada pela maioria dos indígenas brasileiros. Tal hipótese foi concluída através de comparações feitas de vocábulos tupis com a escrita dos hititas, estabelecendo o autor relações entre estas e os signos das tábuas hititas elaboradas por Laroche, Meriggi e Guterbock.

 

Afirmou Baraldi que o antigo tupi-guarani tem relações diretas com a língua primeva, original, pois, descobriu que através dele poderia traduzir as escritas desconhecidas dos povos do passado. Para ele o protohitita ou tupi era a língua que se falava na desaparecida Atlântida há cerca de 50.000 anos.

 

De posse desta chave simbólica pôde decifrar os signos do monólito do Ingá, que eram, segundo ele, semelhantes aos que foram encontrado na Turquia, antiga Anatólia, terra dos hititas. Quanto à forma em que foram gravados os símbolos do Ingá o autor afirma que os protohititas controlavam a energia geotérmica e produziram os hieróglifos mediante moldes, aplicando sobre a rocha alta pressão mecânica e térmica a partir de lava de um vulcão extinto. Neste sentido penso de forma semelhante ao digníssimo pesquisador. Após minha visita àquele monumento excepcional e examiná-lo, passei a alimentar a idéia de que os signos ali insculpidos possam ter sido produzidos por intermédio de uma técnica específica que consistia no preparo e amolecimento da rocha, utilizando-se de uma fórmula desconhecida. Desta forma, os caracteres seriam então gravados facilmente, permitindo um acabamento excepcional. Segundo alguns pesquisadores, os povos incas conheciam uma fórmula “mágica” que amolecia a rocha e metais como o ouro, por exemplo, para que assim pudessem manipulá-los à vontade. Pode ser que esses povos do Ingá também tivessem conhecimento dessa fórmula secreta.

 

No caso específico deste monumento paraibano podemos observar um acabamento primoroso, sem arestas ou quebras em suas bordas, conduzindo-nos a pensar seriamente nesta possibilidade, ou seja, de que tenham sido produzidos por meio de moldes, como o podemos fazer, imprimindo um objeto qualquer sobre um pedaço de argila úmida.

 

Diante da complexidade destes signos e de outros traduzidos pelo iminente pesquisador G. Baraldi, não me permitiria ainda emitir um pensamento conclusivo sobre seus estudos e sua inigualável proposta. Em minhas pesquisas tenho procurado encontrar evidências de uma língua primitiva no Brasil remoto e o insigne pesquisador, para minha surpresa, afirmou que a linguagem protohitita faz parte de uma língua primitiva e universal que não é outra senão a tupi-guarani. Consideramos que este ponto é um dos aspectos mais importantes desta pesquisa e Baraldi parece ter encontrado esta chave. Se ele estiver com a razão e, quero imensamente que sua tese seja comprovada, teremos dado um largo passo na decifração de outros signos arqueológicos no Brasil, pois vamos encontrar caracteres semelhantes aos da Pedra do Ingá em muitas outras regiões, misturados aos registros primevos dos povos mais antigos que por aqui passaram.

 

De forma definitiva considero que o magnífico trabalho de Gabriele Baraldi abriu uma porta iluminada diante do corredor sombrio do academismo arqueológico nacional e internacional, permitindo que novos estudos possam ser feitos a partir dele e desvelar novas facetas de um passado silencioso que, decididamente, se ressente dos impulsos da lucidez e da coerência, diante dos muitos mistérios que surgem a cada momento, desafiando a argúcia dos homens de ciência.

 

Não é novidade para os perspicazes buscadores da verdade que suas descobertas são sempre incompreendidas e rechaçadas no seu tempo. Este comportamento ritmado parece ser uma espécie de anátema que os mistérios que encobrem a evolução das raças fazem descer sobre a ousadia destes raros desbravadores, raros náufragos navegando em mar revolto, conforme dito de JHS, pois que pretendem esmiuçar em sua plenitude o auge e a decadência desse passado, oculto em sua linguagem velada e simbólica. De nossa parte louvamos o espírito de luta deste grande desbravador que ousou desafiar e vencer este mal que se arvora contra o conhecimento humano e romper com a barreira do dogma acadêmico. Só nos resta unir forças para ousar e vencer este anátema que atravessa os milênios, e que esta resistência não possa jamais ser obnubilada pelo conservadorismo dos historiadores que se negam em voltar seus olhares para os albores dos novos tempos que se destacam com força no horizonte.

 

Só assim poderemos perceber os novos lampejos que surgem iluminando indelevelmente a verdadeira história dos homens, coroando com os louros da vitória a fronte dos intrépidos desbravadores do desconhecido, à maneira deste ilustre atlantólogo, desacismado e estudioso arguto, que não se permitiu recuar diante dos enigmas propostos pelo nosso passado.

 

* J.A. Fonseca é natural de Itaúna-MG, economista, autor, pesquisador em Arqueologia e reside em Barra do Garças/MT. Sua página na internet é www.viafanzine.jor.br/fonseca.htm.

 

Pedra do Ingá

 

Desvendado o mistério da Pedra do Ingá*

Pesquisador Gabriele Baraldi garante que a Pedra de Ingá confirma a

presença hitita no Brasil e vê relato de guerra nas inscrições  rupestres.

 

Da revista A Carta

São Paulo-SP

 

Professor Baraldi e a Pedra do Ingá, Paraíba.

 

Pronto, o pesquisador Gabriele D´Annunzio Baraldi um italiano de 52 anos de idade de 25 de Brasil, garante que isso foi suficiente para traduzir a Pedra de Ingá, com seus 497 sinais  esculpidos ao longo de um paredão  com 24 metros de comprimento, três de altura e mais três de largura. 

Conhecida em meio mundo pela forma singular, a beleza e os mistérios de suas inscrições, a Pedra de Ingá recebeu a primeira visita de Baraldi em 1988. O que ele anunciou, na ocasião (Nº 111, de A Carta), foi algo, sem dúvida, surpreendente: o bloco inteiro, conforme entendia havia rolado, em algum tempo de um passado distante, deixando os sinais de cabeça para baixo e dificultando, em função disso, a decodificação. 

Á Pedra de Ingá é uma evidência irrefutável de que os hititas, ou proto-hititas americanos, viveram neste Continente - assegura Baraldi, para quem não é improvável a hipótese de o chamado Novo Mundo vir a ser mais antigo do que o Velho. 

O que teria virado a Pedra? Uma forte enxurrada, admite ele. Mas as surpresas não acabam aí. O pesquisador Italiano, naturalizado Brasileiro, se diz certo de que o bloco rochoso já foi duas vezes maior na  época em que servia como fachada de um monumento colossal: "Uma figura humana de monarca, com chapéu, sentado ao trono, tendo dois leões (ou onças) aos pés ". 

As inscrições vistas atualmente, afirma Baraldi, são mais recentes e datam provavelmente, de 1374 e 1322, antes de Cristo. Os hititas, tal como são conhecidos, floresceram na Anatólia (hoje Turquia) por volta de 2500 a.C. e alcançaram progressos como a fundição do ferro, encerrando a Idade de Bronze (proeza que tem contestação no campo da Arqueologia). 

Baraldi sustenta que a Pedra de Ingá pode explicar a ainda misteriosa origem dessa civilização que, no caso, teria procedido da América, numa corrente  inversa ao fluxo de ocupação do continente historicamente admitido. 

 

Baraldi: "O Tupi nasceu da língua hitita".

Referência

Para estimar  a data das inscrições da Pedra de Ingá (1374/1332 a.C.) ele toma como referência "dados biográficos segundo os quais Mursilis II, numa guerra de seis anos destruiu o poderio da Terra de Arzawa", termo por ele também entendido como "Araxá-uá" e traduzido como "Trono do Planalto".

Baraldi revela-se convicto de que pesquisas mais aprofundadas podem levar á localização desse  trono nos arredores de Ingá, "pois, este é o único lugar do mundo a possuir o maior documento hitita gravado em pedra", afirmou.

Na Mesopotâmia, explica, só foram encontrados, com tal base lingüística, carimbos e selos. Para ele, a forma correta de leitura das inscrições da Pedra de Ingá é da direita para a esquerda e de cima para baixo - com o bloco "desvirado".

Uma linha vertical, que atravessa metade das inscrições e na qual, em 1977, o professor egípcio Fathi Seha (especialista em Ergonomia da Universidade de Quebec, Canadá) viu semelhança com um mapa do Rio Nilo, e, segundo Baraldi "uma lança simbólica de sacrifício de animais". Esta lança atravessa o dorso de um bezerro, um boi e um cavalo, com silhuetas ainda perfeitamente visíveis, bem como o perfil de um sacerdote, ou pajé, barbudo, com cabeça e chapéu - sustenta. 

Baraldi ainda afirma que tal figura "termina num desenho de cabeça de felino, encimado, por sua vez, pelo perfil de cabeça de cavalo, coincidindo a parte traseira dos animais com o arco e a dimensão da cabeça e chapéu do sacerdote”.

Tradução

O dicionário Tupi/Português, de que se utilizou para interpretar e dar fonemas ás inscrições da Pedra do Ingá, foi o do sertanista Luiz Caldas Tibiriçá. Também fez uso  de uma tábua de correspondência contendo  inscrições hititas e seus significados, conforme catalogações do francês Emannuel Laroche e dos hititólogos italiano Meriggi e o alemão Guterbock. Nessa tábua, cada símbolo hitita é identificado por um número.

Baraldi diz que seguiu o método de tradução aconselhado por Laroche, cujo trabalho, ao lado da ação de outros cientistas "resultou numa obra prima de indiscutível valor cultural, com o alcance de 95% sobre valores fonéticos de uma língua, até então, totalmente desconhecida".

Para a identificação dos símbolos hititas, Laroche havia percorrido o caminho mais difícil entre as duas opções de que dispunha: 1) poderia recorrer a uma escrita  bilíngüe (peças arqueológicas  cuneiformes, ou egípcias, escritas em duas línguas); 2) poderia postular que uma das línguas é conhecida, transformando um problema duplo em um simples.  

Este segundo método havia permitido a diversos pesquisadores a tradução do grego de Chipre (por G. Smith), do turco de Orkon  (Thomsen), fenício de Byblosveja so  (Dhorme), e semítico de Ugarit  (por Bauer, Dhorme e Virollaud). "Se o postulado é justo, a decifração  revela-se rapidamente, mas sendo falso, tudo pára, a exemplo do que ocorreu com Jensen  que procurava o armênio  atrás dos hieróglifos hititas e viu todos os seus anos de esforços perdidos", conforme lembra Baraldi. 

E, citando Laroche, ele resume: “Cinqüenta anos de tentativas e conjecturas conduzem à evidência de que os hieróglifos hititas são uma criação hitita e qualquer esforço que permita induzir as homofonias a seleção dos valores fonéticos é bem-vinda". Em seguida, Baraldi conclui que "o apelo do Dr. Laroche foi ouvido no Brasil, em fevereiro de 1989, com afinação Tupi". 

Agora ele está convencido de que há, em Ingá, símbolos como o 163, da tábua hitita de Laroche, que tem a pronúncia tupi de Mu-Já e o significado, em Português, de “parentes”, “raça e nação”. Da mesma forma, o símbolo 199 é Jassy em Tupi e “mês” ou “lua”, em Português. 

Juntando todos os símbolos de Ingá e o que tem como seus significados, Baraldi, que bacharelou-se na Argentina em Letras e Filosofia, mas não possui formação acadêmica em Arqueologia ou Antropologia, assegura que a pedra paraibana tem mensagens soltas com a seguinte decodificação: "Existe uma briga de fronteira, que é o rio piscoso. A briga é entre reinos parentes próximos. O rei invasor pede aos guerreiros que façam um círculo  ao redor dele, portanto decidido a tudo. O outro rei procura a negociação, lembrando o parentesco e as tradições da (pátria) mãe de origem".  

Em outro ponto, a tradução, ainda segundo Baraldi, é a seguinte "Ao raiar do Sol, na primeira claridade, o guia toca a trombeta de guerra entre parentes próximos. Seja o que for, não há mais remédio, por isso o escriba  levanta uma prece a Tupã, que levará consigo os mortos de costume, aqui e agora".

 

Detalhe da instigante Pedra do Ingá.

Mitos

Baraldi afirma não ter dúvidas de que o Tupi "é uma língua hitita". Garante, além disso, que a Pedra do Ingá derruba outro mito dos hititólogos da Mesopotâmia. Estes últimos sempre acreditaram que todos os registros em  hieróglifos hititas diziam respeito unicamente a assuntos sagrados. 

E ele cita mais três narrativas que, na Pedra, contrariariam tal hipótese. Eis a primeira: "O  Senhor foi pescar  no rio, havia muitas rãs, mas estava acontecendo alguma coisa estranha que lhe causou a atenção. Foi tranqüilizado por parentes que ostentavam símbolos nobres. Enquanto lhes dirigia a palavra uma nuvem branca  descia pelo rio, O Senhor perguntou ao pajé (ou sacerdote) o que era essa estranha nuvem branca. Também intrigado, o pajé  foi investigar e, finalmente, estava abraçado aos ramos de um igarapé em estado de composição".

Segunda narrativa, "No interior da propriedade do Senhor, sob sua supervisão, enquanto o resto da população estava cuidando dos seus afazeres, um incidente de grandes proporções com fogo na usina de fazer bebida queimou tudo, casas vila, templo, com a rapidez de uma flecha, numa fogueira de enorme claridade".

Terceira narrativa, "A população trabalhou muito para o pajé, para festejar o Senhor do Amuleto. Toda a bebida foi transformada em licor e colocada sobre um estrado, junto com a comida, destacando-se o peixe-coelho".

Contestações

A tradução de Gabriel D'Annunzio Baraldi vem tendo contestações imediatas. A arqueóloga carioca Maria Beltrão disse  ao jornal,  Estado de São Paulo, que é muito pouco provável que os hieróglifos de Ingá sejam de outra civilização. Ela atribui as gravações da pedra, onde já fez estudos, a povos primitivos locais. O antropólogo da Universidade de São Paulo, Antonio Porro, especialista em pré-história indígena, concorda com a arqueóloga.

Em João Pessoa, a teoria de que a Pedra de Ingá foi virada de ponta-cabeça por uma enxurrada surpreendeu o professor Jacques Ramondot, ex-diretor da Aliança Francesa e um pesquisador do assunto  "Seria preciso algo mais forte do que um terremoto para virar a Pedra", ironizou.

Menos à vontade para falar do tema, outro pesquisador, Balduíno Lélis amigo pessoal de Baraldi, não aceita, sequer, a presença  dos hititas no Continente, povo que não tinha tradição naval e nem, portanto, meios para grandes travessias. 

De resto, a teoria de que a Pedra do Ingá esteja de cabeça para baixo inverte símbolos já identificados como figuras humanas, pássaros, répteis e plantas, todos em posições corretas. 

Mas Baraldi não desanima. Ele próprio defende a necessidade "de um trabalho mais profissional e de maior envergadura, a cargo de estudiosos e eruditos na matéria". Em busca  de tais pesquisadores, ele já bateu, até aqui sem resposta, à porta da Embaixada  da Turquia, país que, ao seu ver, "dispõe dos melhores hititólogos do mundo".

 

* Texto extraído da revista A Carta, datada de 03 a 10 de Fev-1990 - Ano IV nº 170.

- Fotos: Arquivo Anna Holst / Via Fanzine.

 

Pedra do Ingá

 

Pesquisador diz que pedra,

na Paraíba, tem inscrição Hitita*

Para eliminar controvérsias, que vem desde o século passado,

Gabriele Baraldi sugere que um especialista  em hititologia 

dê parecer sobre inscrições contidas na  Pedra do Ingá.

 

Por Ulisses Capozoli*

Para o Jornal de São Paulo

 

Pedra do Ingá (Paraíba), petróglifos com tecnologia desconhecida.

 

Ao final de seis anos de trabalho o pesquisador independente de origem italiana Gabriele Baraldi garante ter decifrado e interpretado os 497 símbolos inscritos na PEDRA DO INGÁ, situada á 88 quilômetros de João Pessoa, na Paraíba, Brasil. Há quatro anos Baraldi sustentava que as inscrições são hieróglifos escritos pelos Hititas, povo que viveu na Mesopotâmia e alcançou seu apogeu em 2500 a.C. Agora com o trabalho de interpretação concluído, ele acrescenta que os sinais narram cenas como a erupção de um vulcão e a reação de uma população portuária , próxima ao fenômeno .

 

A PEDRA DO INGÁ é um bloco rochoso de 24 metros de comprimento, com 3,8 metros na parte mais alta e outros três metros de espessura e vem sendo estudada desde o século passado. Baraldi fez suas investigações utilizando o dicionário do francês  Emmanuel Laroche, que fornece os possíveis sons de cada sinal e os vários significados de cada um, alem do dicionário Tupi-guarani do sertanista brasileiro Luiz Caldas Tibiriçã.

 

Com base em suas investigações, Baraldi propõe que a PEDRA DO INGÁ seja "a prova cabal de que eles (os hititas) estiveram anteriormente no continente americano, há pelo menos 5 mil anos e foram parentes diretos dos índios americanos ".

 

A PEDRA DO INGÁ, segundo Baraldi, seria parte de uma peça maior que se rompeu e mudou de posição em função de fortes chuvas. O pesquisador que tem formação em letras e filosofia, propõe que o bloco original, a que pertence a PEDRA DO INGÁ, teria originalmente o dobro do tamanho e formaria a fachada de um monumento com uma figura humana de um monarca com chapéu, sentado ao trono e tendo dois leões ou onças a seus pés. Entre outras cenas, Baraldi traduziu narrativas como, "É Ano Novo. A branca mãe Lua surge iluminando a baía e a popa do grande navio do império da constelação, da Cruz Guia (Cruzeiro do Sul), não pode sair do local, pois o fogo que está em toda parte pela baía já chegou á proa da embarcação".

 

 

Pedra do Ingá, detalhe.

 

Outros pesquisadores como a arqueóloga carioca Maria Beltrão e o antropólogo da USP Antonio Porro, já discordaram de Baraldi na primeira fase de seu trabalho. Geólogos também sustentaram que as áreas de vulcanismo mais recentes no Brasil recuaram há milhões de anos.

 

Num artigo escrito em 1975, para a Revista de História da USP, a pesquisadora Gabriela Martin também refuta a interpretação defendida por Baraldi. Para a pesquisadora "não é preciso  ser propriamente um especialista em línguas mortas e estar familiarizado superficialmente com os alfabetos antigos para que se perceba que os petróglifos de INGÁ não são uma escritura e que os sinais, caprichosamente, não seguem nenhuma ordem, simétrica ou relação de tamanho entre si, uma vez que são poucos repetidos".

 

Baraldi, no entanto, está seguro de que decifrou as inscrições que, segundo ele, devem ser lidas da direita para a esquerda e de cima para baixo "com a pedra  desvirada". O sítio arqueológico de INGÁ também tem outra PEDRA ARZAWA, onde, na face exposta podem ser vistas "piramidinhas", que, segundo Baraldi, seriam um documento em cuneiforme Hitita.

 

O pesquisador sugere que o governo brasileiro convide um especialista internacional em Hititologia para se obter um laudo científico das inscrições na PEDRA DO INGÁ. No Brasil, justifica ele, não existem especialistas nessa área. Esta providência, segundo ele, seria uma forma de ser por fim aos debates e determinar a natureza das inscrições de forma definitiva.

 

A inscrição da PEDRA DO INGÁ segundo Baraldi, não foi feita de maneira convencional, mas com um recurso de "estampo na lava quente canalizada do vulcão.

 

- Reportagem extraída do Jornal de São Paulo, de 20 de fevereiro de 1994.

 

* Ulisses Capozoli é jornalista.

 

- Fotos: Arquivo Anna B. Holst.

           

+ referências ao trabalho de Gabriele D. Baraldi (em inglês):

     http://www.geocities.com/Athens/Rhodes/8473/hierogly.htm

 

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